terça-feira, 6 de maio de 2014

Mãe, blogs.estadão



Mãe
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“Mãe é tudo igual” é a máxima que, vira e mexe, aparece nas conversas, quando, frequentemente falamos delas. Eu sempre preferi a outra frase não menos clichê: “mãe é mãe”. Assim, sem negociação. Mãe é mãe. E isso é a mais pura e óbvia verdade. Elas não são todas iguais, apesar de compartilharem desse amor só comum a elas. Mães são diferentes. Existe aquela que é “melhor amiga da filha”, outra se mantém a vida toda mais reservada, no lugar de mãe. Mães boas de cuidar de criança, outras melhores quando os filhos são adultos. Mãe não é tudo igual e sabemos: não tem certo ou errado. Mãe é mãe. E quando a coisa aperta, não tem jeito, tem situações que só mãe resolve. Não há amiga, namorado, pai, irmão, padre ou guru que tenha as palavras dela.
Cada mãe tem a sua sabedoria. Cabe a nós, filhas, saber desfrutá-la da melhor maneira.  Porque mãe é mãe, na hora que ela percebe detalhes que a gente deixa passar. Desde esquecer o pijama para levar na viagem do colégio, até o sexto sentido para te avisar que uma certa amiga, bem, não é sua amiga de verdade e que vai passar a perna em você. Mãe é mãe quando percebe nossas loucuras, os exageros, os dramas. Uma menina fazendo birrinha. Lembro de ver minha mãe e minha avó passeando juntas e achar engraçado ela fazer coisas que só filha faz com mãe. Pedir cuidado ao mesmo tempo que cuida. Talvez essa seja uma das trocas mais especiais entre mãe e filha. Essa cumplicidade que só vai se repetir quando nós formos mães.
Mãe é mãe nos pequenos cuidados. Compra um docinho para você na tpm, te chama para assistir um filminho na TV, quando você está doente e chatinha, dá uma ajuda quando você está dura no fim do mês. E mãe é mãe também nos mimos: quando acha que você tem razão em todas as suas brigas com outras pessoas – que não ela, é claro – quando diz que você está linda mesmo você se sentindo um lixo. Mãe é mãe e liga. Sim, ela telefona em várias horas erradas: às vezes, no meio da sua reunião de trabalho, ou na academia. Ela liga para saber do tempo da praia, para papear, fofocar do vizinho da frente, saber se você está bem, se já fez as pazes com seu irmão, se está precisando de lençóis novos. E mãe é mãe nas duras, como deveria ser. Na hora que tem que te ensinar a ser forte, a ser mulher, a correr atrás do seu. Ela dá chacoalhão quando você está dramatizando seus problemas, manda aquele “eu te avisei” em situações que você não ouviu ela, enche o saco, critica algumas escolhas. E já sabemos: muito provavelmente ficaremos iguaizinhas a elas. Quem nunca se viu repetindo uma atitude da mãe que se prometeu que jamais faria ? Mãe é amor.
Então, mãe não é tudo igual, mas mãe é mãe e, se eu pudesse, faria como o sábio poeta Drummond que disse: “Fosse eu Rei do Mundo/ baixava uma lei: Mãe não morre nunca/ mãe ficará sempre junto do seu filho/ e ele, velho, embora/ será pequenino/ feito grão de milho”.

Estadão.blog, 05.maio.2014
http://blogs.estadao.com.br/sem-retoques/mae/
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