quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Imagine a new brotherhood (Remembering Lennon) By Francisco Vaz Brasil



Imagine a new brotherhood (Remembering Lennon)
By Francisco Vaz Brasil


Imagine the governments worried
with food production, health, education,
safety for the people, and new technologies for best life,
not long discusses and political trips around world.

Imagine young people going to school,
Speaking about Twain, Dickens and Austen,
not sharing drugs at the city corners.

Imagine all the people practicing their activities,
Constructing new dreams
not using guns and knives to kill their brothers.

Imagine all citizens walking by the streets,
speaking about their life projects,
without fear of assaults and violence.

Imagine your children running free by the parks
without robbers, hijackers and ravishers
to importunate them.

Imagine clean cities where everybody care
of the dirt putting it in appropriate local, recycling it and
acting for prevent obstruction of the drains that cause floods.

Imagine people saying good morning each other
Imagine that there’s no invaders of your lands,
Imagine there’s no racial differences,
Imagine there’s no religious intolerance,
Imagine a world where there’s no wealth distinction,
Imagine all people hearing a good music by Beatles,
See how beautiful is children laughing and smiling.
Imagine all animal in quietude in the Nature,
Imagine a many-colored forest with Cedars and Tabebuias,
Imagine there’s no war or terrorism,
Imagine there’s no pain or hurts for cure…

I want pigeons flying by sky.
I want to see my neighborhood smiling happy.
I want to see all children going in peace to school.
I wish peacefulness for my friends and descendants.
I wish a world without crimes and wars.
I wish a world where a good book can be read under a Mahogany tree.

I want to see all the people
Saying I Love You!

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

TOQUINHO - AQUARELA ( legendado ).

PLANETA ÁGUA - GUILHERME ARANTES(RECORDAÇÕES ANOS 80)

PLANETA ÁGUA - GUILHERME ARANTES(RECORDAÇÕES ANOS 80)

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

GUANTANAMERA

Guantanamera - The Sandpipers

GRACIAS A LA VIDA - Violeta Parra (LYRICS)

Ozzy Osbourne - "I Just Want You"

Ozzy Osbourne - "Mama, I'm Coming Home"

Close My Eyes Forever - Lita Ford with Ozzy Osbourne (Lyrics On Screen)

domingo, 17 de janeiro de 2016

DA JANELA DO QUARTO DE DORMIR (LICENÇA AÍ, LÔ BORGES), ELIAS RIBEIRO PINTO



DA JANELA DO QUARTO DE DORMIR (LICENÇA AÍ, LÔ BORGES)
ELIAS RIBEIRO PINTO
Ilustração de Luis Pinto
Para o Circular Campina

Eis a mais recente crônica para o Circular Campina, que já está nas ruas deste domingo. O texto é brilhantemente (ou melhor, "chamejantemente") ilustrado pelo desenho de Luiz Pinto, que captou minha ordem divina de despejo ao casal vira-lata que queria fazer "as coisa" debaixo da minha janela. Aqui na Campina, claro. Só lendo a crônica.
DA JANELA DO QUARTO DE DORMIR (LICENÇA AÍ, LÔ BORGES)

Um hóspede do principal hotel do bairro – a nossa Campina –, e um dos principais da cidade, é assaltado quando desce do táxi defronte ao hotel, em plena Presidente Vargas, por um ladrão que chega na garupa de uma moto.
Não deixa de ser um acontecimento extraordinário, mesmo numa cidade violenta como Belém, tão extraordinário quanto os que já testemunhei bem embaixo da minha janela, aqui na Ferreira Cantão, pertinho do Princesa Louçã, ex-Hilton, o hotel do primeiro parágrafo
Já fui acordado, de madrugada, várias vezes, com ladrões quebrando janela de carro. A última vez, tem pouco mais de uma semana (foi agora em janeiro), despertei às três da madrugada. Um barulho estranho. Alguém revirando lixo, rasgando sacos? Mas àquela hora da madrugada? Então, um rasgo mais forte. Resolvo ir à janela. A tempo de ouvir as exclamações que partem de outras janelas, o burburinho que se levanta. Alertado pelo barulho, chega o dono do carro: pois não rasgaram a lona que cobria a parte traseira de sua caminhonete e fugiram carregando uma prancha de surf?
Outra vez, fui acordado, madrugada alta, com o seguinte diálogo:
– Eu juro, não vou te enganar. Olha, pode segurar a minha bolsa. Eu vou, tomo um café ali numa banca, troco o dinheiro, e fico com quinze.
– Não vai mesmo? Olha, eu tenho cinco trocado. Não pode ser?
– Não, cinco não vale. Acredita em mim. Estou dizendo, fica com a minha bolsa. Agora, se fores embora, vou atrás de ti, faço um escândalo.
– Então prometes que trocas e trazes o resto de volta?
– Juro, pelo amor da minha filha.

O diálogo acima (ou ao menos a tentativa de reprodução que dele tentei esboçar) aconteceu bem debaixo da janela de casa, do meu quarto de dormir. Era por volta das quatro da madrugada, já no domingo do Círio passado.
A Ferreira Cantão, em geral uma rua quieta, principalmente no ermo das noites – quando as ruas centrais da cidade perdem o burburinho constante da gente que circula em torno de bancos, de prédios públicos, da vida que se faz diariamente no centro –, naquela madrugada o movimento, intenso, fugia da rotina, da quietude. Era a virada do sábado para o domingo do Círio.
Afinal, da noite da trasladação até o amanhecer com a procissão, a circulação não cessa, de carros (por causa do trânsito interrompido mais acima, na Presidente Vargas), de gente. E de cenas, digamos, paralelas, como se acontecessem nos bastidores da grande festa religiosa (e profana).
Naquela noite, madrugada chegando, já tinha visto, lá na esquina, um casal que se arrochava, daquele tipo que quando alguém passa, de carro, grita: “Paga motel!”. Em outro momento, uma mulher, conhecida na área, fumadora de crack, tossia desesperadamente no meio-fio, buscando ar, como num acesso de asma. E aí fui dormir.
Até que mais tarde, já por volta das quatro da madrugada, acordei com o diálogo transcrito no início desta coluna, bem debaixo da minha janela. Logo percebi que se tratava, digamos, de um acerto de contas. Acertava-se o valor de um serviço sexual. Era, afinal, uma transação (anexar o trocadilho) de livre mercado, lei de oferta e procura, de demanda reprimida, toma lá, dá cá.
Aguardei que chegassem a um “denominador comum” e enfim partissem rumo a um dos motéis baratos que abundam (sem anexar trocadilho) aqui na Campina. No entanto, para minha surpresa, definidos os valores, o acerto parecia que ia se consumar ali mesmo.
Não acreditei. Levantei, abri e janela e me deparei com a cena que nem Dante aceitaria liberar o adjetivo dantesco para descrevê-la. A mulher (a ouvi dizer, um pouco antes, que “de costas não”, que assim se machucaria, ficaria lanhada), já de quatro, se oferecia ao homem, branco, parecendo um trabalhador, ou saído ou a caminho do emprego, que arriava as calças, tentando liberar, digamos, a ferramenta. “Vocês vão fazer isso aqui mesmo?”, disse, surpreendendo-os. Como a voz vinha de cima, do nada, parecia que um deus, colérico, os flagrara no ato vira-lata.
 Ilustração de Paulo Emman

Desnorteado, ele levantou as calças e disse, à guisa de desculpa: “Vamos que a gente está incomodando”. Ela, depois do susto, saiu imprecando: “A gente não pode nem trabalhar em paz”. Era a mesma que há pouco se esganiçava, roncando em busca de ar, como numa crise asma. Só faltou que ele, antes de consumar o intercurso canino, fizesse uma selfie pornô. Selfie dantesca. Perdoa aí, Dante. E assim caminha a humanidade, se aliviando pela rua como cachorros.
E ele se foi com ela fazendo um escândalo às suas costas, como havia prometido.
Esta é a Campina. Nem pior, nem melhor que o resto da cidade. Mas é um bairro em que muitos circulam, vindos de todos os cantos da cidade. Mas de noite, noite alta, é a nossa Campina, que passa debaixo da janela do meu quarto de dormir.

https://www.facebook.com/elias.ribeiropinto/posts/10205674455922321

sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

ÉGLOGAS PARA UM SENHOR CHAMADO CARNAVAL, Francisco Vaz Brasil



ÉGLOGAS PARA UM SENHOR CHAMADO CARNAVAL
Francisco Vaz Brasil


toda gente se achegou
por necessidade
por sadismo
talhando pedra e barro
aos empurrões
e palavrões
à praça
perplexa e apática
os blocos
- palhaços mambembes
costelas viventes
de uma inflação muda:
punhal afiado
os blocos passando
- desfile macabro
corpos fantasiados
batucada fantasma
em desfile
na álgida metrópole

o Teatro –da Paz –
taciturno observa,
há tempos imemoriais
na espessura do gesso
na pauta sonora e fria
no espaço da moldura
nas vozes suplicantes
das noites da belle èpoque
no terraço dos edifícios
as pedras não entenderam e se calaram
em sua saliva de pó e calcário

nas escolas (de samba)
surgiram equações no gesto
e dúvidas no esquadro:
os passos seriam milimétricos;
os giros do compasso eram a agonia
da porta-estandarte e o mestre-sala tremia
como quem nasce (oh, carnaval)
em círculos de bronze
rodas de samba, brazões e tradições...

as evoluções do passista
no tapete vivo de carne e asfalto
são a esperança
e a voz do crooner , desafinada,
era talho e atalho no corpo
inerte e inerme
da platéia
(que se oferece dúbia,
nas curvas, como um rio
marmóreo, límpido, onírico)
a praça sozinha,
em meio à multidão, sorri
sua forma bem lavada
em barras de suor,
lágrimas felizes
e aço em combustão

mas o carnaval
nasce assim, maduro:
é o tempo
paridor de estrelas
cubos, alvoradas e cristais;
lágrimas congeladas,
sorrisos y sorridentes
- brincantes forjados em laboratório

é o carnaval
que da estrutura dos ritmos
criou a linha do viver
e o carnaval está nas gentes
incrustado como a ostra
à espera da semente perolar
está no tempo a descoberto
para o orvalho e o raio
sob a chuva e as margaridas
com prêmios de mil centavos
sim, e ele explode em nós
em glóbulos, nas artérias
e dele correm os homens tranqüilos
em rodas e pedais do esquecimento

para quem amou
nele está o segredo, ou no umbigo,
o silêncio antigo, o ruído das palavras
o atrito e a entrada da lâmina
no subterrâneo do prazer!
e o museu com o que se disse
e o que não se disse
e o passado em retângulos de mármore
vê o carnaval como paralelos
cravados sobre o chão

lá estão o moço e a moça
os seus estremecimentos
e a criança
- seu medo de ser aborto e natimorta
no bar do parque, aqui sim,
aqui gasta-se o níquel
e don Juan deseja o mulher do próximo
- aqui se ama, se amou, se amaram
o índio e a loira sob os lençóis do horizonte
a gênese do carnaval
líquido, alegre, sujo, loucoricida,
entrementes, é imensa e única:
- de um fio faz-se o tecido,
- por um fio faz-se a massa
estonteante da mulher amada
(margens calculadas para o amor)
e por um fio fez-se o poema e a roupa
por um fio faz-se um filho e um rio
por um fio faz-se encurtar distâncias
por um fio também jorra
o sangue dos que fazem o crime, a guerra
por um fio,
podemos salvar o nosso carnaval...

[Publicado no jornal Folha do Norte, de Belém,
Em 30 de janeiro a 5 de fevereiro de 1978]