quinta-feira, 29 de maio de 2014

DUAS BAILARINAS, JAMIL DAMOUS



DUAS BAILARINAS
JAMIL DAMOUS

Vestida só de sua luz
ela dançava na sala
enquanto a noite fugia
e a manhã nos chegava.
Bebêramos longamente
taças de vinho e ventura.
Nossos corpos viajaram
por nossos corpos, e a cura
de todo mal, provisória,
parecia eterna e plena.
E no céu de Botafogo,
pela janela, serena,
ela, a estrela solitária,
na manhã nos espiava.
E eu espiava a elas
— estrela e mulher amada —
que, vestidas só de luz,
na sala e no céu dançavam.
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