domingo, 2 de novembro de 2014

Bela tela. Rita Prado



Bela tela.
Rita Prado



Desenhei um pingo
de noite no papel.
Reneguei o seu lado
obscuro à brancas margens.
Desejo apenas aquilo
que penso que me cabe...
Então ela se fez festa,
risos,abraços,canções,
poesias e amores.
Virei seu sujeito e tratei
de enfeitá-la com os
melhores predicados.
Tornou-se palavra verbalizada
conjugada no presente
com leveza nostálgica
mas cercada de expectativas.
avança brindando com sua magia.
De um pingo componho bela tela.
Sinônimos definhando antônimos
realçando a beleza da proposta
contrariando sua névoa.
Assim me mantenho
intacta e inviolada.
Ao ver o sol liberar
seus primeiros raios
permito ser depósito
de sua luz.
Cuido de guardar os
experimentos noturnos
mas deixo escapar
alguns acordes.
Ainda em sintonia
como quando a lua
me banhou
faço música do dia
que se anuncia.
Permito a invasão solar
até o céu pontilhado de estrelas
retomar seu lugar e me fazer
a corte para uma nova dança...


23.10.2014.
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