domingo, 19 de abril de 2015

Em uma manhã de julho, Francisco Vaz Brasil



Em uma manhã de julho
Francisco Vaz Brasil



          Nesta manhã saí para fazer algumas compras. A manhã estava ensolarada – um sol forte, de verão, apesar de algumas nuvens aparecerem escuras, indicando a costumeira chuva da tarde. O dia, então se apresentava como nas primorosas descrições de F. Scott Fitzgerald em Suave é a Noite (Tender is the Night).
          Segui meu caminho cuidando para não ser atropelado pelos vários veículos que trafegavam com velocidades diversas.
          Motoristas apressados, ruas e avenidas com extremo movimento – eles fugiam de intensos engarrafamentos da via expressa.
          Rostos tensos, preocupados. Um bom dia aqui, outro acolá.
          -  Oi professor, como está? E o fim de semana? Vai à praia?

          Outros sequer tinham a gentileza do cumprimento. Continuei minha caminhada. Fiz as compras daquilo que precisava e retornei ao meu palácio. Voltei à rua e sentei em uma calçada.
          Os carros, com seus vidros escurecidos devidamente fechados, passavam. Olhei para o alto e notei uma pipa esvoaçante em piruetas no céu. Então divaguei entre os dias de minha infância, quando também empinei papagaios, rabiolas. pipas e cangulas.

          Meus pensamentos finalmente fugiram dos noticiários...
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