quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

A ESCOLA DAS DÉCADAS DE 50 À ATUAL.



A ESCOLA DAS DÉCADAS DE 50 À ATUAL.

" O aluno não vai à escola para tirar notas, vai para aprender, para crescer, para se desenvolver."
Freinet, educador francês
 




“A escola visa formar o homem para o modo de vida democrático, toda ela deve procurar, desde o início, mostrar que o indivíduo, em si e por si, é somente necessidades e impotências; que só existe em função dos outros e por causa dos outros; que a sua ação é sempre uma transação com as coisas e pessoas e que saber é um conjunto de conceitos e operações destinados a atender àquelas necessidades, pela manipulação acertada e adequada das coisas e pela cooperação com os outros no trabalho que, hoje é sempre de grupo, cada um dependendo de todos e todos dependendo de cada um”

Anísio Teixeira (O processo democrático de educação. Revista Brasileira de Estudos Pedagógicos, Rio de Janeiro, v. 25, n. 62, p. 3-16, abr./jun. 1956)

     A escola dos anos 50 e 60 é repleta de recordações. Normalmente os alunos residiam próximo às escolas. Em muitas cidades os bondes circulavam transportando principalmente trabalhadores. Os guardas-civis faziam as rondas e faziam o papel de sinaleiros na organização do trânsito. O pai trabalhava e a mãe cuidava dos afazeres domésticos e dos filhos.
     A escola das décadas de 50 e 60 tem praticamente as mesmas características. Existia o curso primário (da 1ª à 5ª séries), o ginasial (em 4 anos) e mais três anos onde o aluno escolhia entre os cursos clássico, o de ciências biológicas (CB) e o de ciências matemáticas (CM). Esta estrutura funcionou até os anos 70. Depois houve uma reforma no ensino, passando para o ensino fundamental (da 1ª à 8ª séries) e o médio (três anos).
     Nas décadas de 50 e 60, a educação era tecnicista; com ênfase no saber fazer, sem a reflexão sobre esse saber fazer. A Pedagogia era tradicional, onde o professor era o centro do conhecimento, transmissor dos conteúdos, enquanto os alunos eram meros receptores.
     Naquela época o aluno não portava livros. As aulas eram transcritas nos quadros-negros ou ditadas. Os erros e falhas eram corrigidos com a palmatória durante as famosas sabatinas. E ainda havia os quartos-escuros para punir quem infringisse a disciplina.
     A disciplina em sala de aula deveria ser mantida a qualquer preço e os castigos físicos, a palmatória, a genuflexão sobre o milho, bem como as humilhações psicológicas, as famosas “orelhas de burro” colocadas no aluno que ia mal, imitavam as relações autoritárias e antidemocráticas existentes entre o poder e os seus súditos, assim como entre pais e filhos. Este clima de terror era coroado com a famosa reprovação. O bom professor, pasmem, era aquele que reprovava muitos alunos e a escola, bem como o professor eram eximidos de qualquer responsabilidade pelo fracasso escolar. Esse comportamento punitivo chegava mesmo às raias do exagero de reprovar um aluno por um simples décimo, inviabilizando, muitas vezes, toda a vida escolar futura de um jovem ou de uma criança.
     A partir dos anos 70 já era evidente que as escolas não poderiam continuar convivendo com relações pedagógicas tão autoritárias como as até então existentes, herdadas de modelos pedagógicos absolutamente ultrapassados.
     Nas três últimas décadas do século XX, a população brasileira “arrombou” as portas da escola. O crescimento das matrículas foi estrondoso. No entanto, por mais esforços que alguns educadores tenham feito, houve muita dificuldade em mudar a cultura dessa escola elitista, autoritária, herdada das décadas passadas e serão usados todos os subterfúgios e práticas para afastar os alunos do acesso ao saber. A mais avassaladora delas será a reprovação, esta sim, o instrumento por excelência a serviço da ignorância e da exclusão social. Nos idos dos anos 80, foram abundantes os estudos e pesquisas mostrando os efeitos perversos e pouco producentes da reprovação.
   Assim, ao modelo de relação pedagógica autoritário, elitista e excludente, até então existente, irá contrapor-se um radicalmente novo, onde o ser que aprende - o aluno - passará a ser o centro do processo de aprendizagem que deverá estimular a participação, atividade, pesquisa e comportamento crítico. Educadores e estudiosos propuseram uma nova escola, uma escola democrática marcada por relações pedagógicas de inclusão, troca, respeito e estimulação. O aluno passou a ser respeitado, suas características bio-psicossociais consideradas no processo de planejamento, desenvolvimento e avaliação do ensino. Ao professor é atribuído o importante papel de mediador, facilitador do processo de aprendizagem, isto é, o de criar as condições necessárias e adequadas de exposição e apropriação do conhecimento pelos alunos. O papel do professor não será menos importante do que era no passado, mas implicará maior responsabilidade: zelar e garantir a aprendizagem do educando. Não basta ensinar. Condição necessária à função do professor será a de levar o aluno a aprender. Da mesma forma, a direção escolar e o sistema de supervisão do ensino passarão a ser solidariamente responsáveis com o professor pela garantia de aprendizagem das crianças e jovens.
     A nova lei da educação, a LDB de 1996 passou a garantir as diferentes formas de organização do ensino que ampliam as possibilidades de avanço e respeito à aprendizagem dos alunos. Novas formas de relacionamento no processo educacional foram introduzidas e, a escola, então mudou.
     Se antes o aluno apenas copiava, no século XXI, os alunos passaram a pesquisar, a transportar livros e ter uma nova forma de ver as coisas e a ter espírito crítico. Hoje, embora haja muita gente fora da escola, o índice de analfabetismo tem sido reduzido drasticamente.

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