sábado, 11 de janeiro de 2014

Greta Benitez, por Frederico Barbosa



Greta Benitez
Por Frederico Barbosa




“Pela janela que a chuva molha
não sei se sou eu
ou é a cidade que me olha”

“Eu estava numa
[calçada vazia
E de repente a noite
invadiu o meu dia”


Estacionei meu coração
na contramão.
Me diga, amigo, meu irmão
- Quer namorar comigo?
Sei cantar blues
fazer bolo, luz
e balas de alcaçuz.
Sou fã de dias de chuva.
Acho que deixei meu coração
no porta-luvas

“No meio da noite
a menina perversa descobre surpresa
que é dona da única janela acesa.
Sozinha em seu quarto
rindo das consciências distantes
esconde 30 000 amantes
inquietos e ofegantes
donos dos jardins de rosas
e portas da infância
e de todas as noites de inverno.
Às quatro horas da manhã
a garota está com sono
e permite ser dominada pelos seus olhos fechados
e dorme impune
sentindo o perfume de pêssegos e neblinas
que vem de dentro das meninas.”

“Estou pronta para tudo
           [que você imagina
Deixei minha inocência
               na pior esquina”


Neon tocado
em violões e gaitas.
Noite urbana
com  janelões e gatas.
Ruas, ruas lunares
com casas, prédios e bares


Barbosa, Frederico - Greta Benitez agradável surpresa da poesia brasileira. Discutindo Literatura, Ano 1, Nº 1. P. 58-63
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