terça-feira, 23 de agosto de 2016

Dorme cidade, dorme, Francisco Vaz Brasil



Dorme cidade, dorme
Francisco Vaz Brasil

 
dorme cidade
é tarde
agora há silêncio

os bares estão fechados
os manifestantes do ego
já partiram em suas naves
deixando pranto e solidão

as excelsas naves
das trezentas belas morenas
e dos cisnes negros da glória
com seus dentes escarlate
e pele macia

- há pedras e molotovs
olvidados nas sujas calçadas

há alguns grunhidos
no frio cárcere
- advoga-se o hálito burguês

dorme cidade
(menino, sê bom)
amanhã será outro dia

lá fora o vento gélido sopra
e os cães ladram

ainda há muito trabalho
para acontecerem as mudanças
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