quarta-feira, 18 de setembro de 2013

CONTRASTE * Francisco Vaz Brasil



CONTRASTE *
Francisco Vaz Brasil



Queda o corpo de minh’alma
Curva a alma de meu corpo
Beijo flores recurvadas
Beijo mãos dilaceradas...

Cai o pranto de meu canto
Cai o pranto de uma dor
Morre o sol que não nasceu
Nasce a noite que morreu...

Morre o sangue de minh’alma
Tiro as veias de meu corpo
Tiro as liras de meu canto
Planto a flor de fruto dor...

Lastra tudo no universo
O amor... no tempo: a morte
Canto – vida que morreu.
Morre a morte, louvo a vida,
Beijo a flor qu’em mim nasceu...

E nas rimas de meu verso
Canto a flor e o lamento,
Canto tormento e amor
Que passa com o silvo do vento...

Poema que versou
Vida-morte, num momento
Finda como um pensamento
Que não existiu... acabou!

*Publicado no jornal A Folha do Norte, 1º caderno, coluna Artes, comandada por Salomão Larêdo, em 13-12-1971.
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