terça-feira, 23 de julho de 2013

Canto seco, Francisco Vaz Brasil



Canto seco
Francisco Vaz Brasil

terra:
miro teu dorso
em gesto frustrado
da coisa imperceptível
- mato e ternura
queimados na memória
e cada galho ressequido
é o que sobrou em ti

já, já não existem flores
nem mulheres mambembes
nem necrológios, vida ou verso
nem pegadas no caminho

grãos de areia
palavras indizíveis
onde a intolerância destruiu
o último casamento

tu, terra, guardas em segredo,
sob invisível manto
o  âmago dos antigos adágios
o mistério das catedrais
- dura lex, sed lex –

aguardarei, aqui,
ante a poeira ambígua
do oriente dos teus ais
a próxima caravana
que há de trazer a esperança
de um outro recomeço...
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