quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Operários da estrada Por Fernanda Pompeu


Operários da estrada
Por Fernanda Pompeu 

Yahoo notícias - Mente Aberta – ter, 11 de dez de 2012

Quem passa pelos 13 km da Ponte Rio-Niterói talvez nem pense no batalhão de engenheiros e no exército de obreiros que a ergueram. Para cravá-la sobre a baía de Guanabara foram gastos, além de dinheiro grosso, tino e suor.
A mesma história se repete com as grandes estradas que nos levam e nos trazem Brasil afora. Nenhuma delas, como ocorre no fim dos filmes e novelas, traz os nomes de seus trabalhadores. É injusto.
Na comunicação, há também pavimentadores de caminhos. Gente que trabalha ou trabalhou para facilitar nossa compreensão. Para reduzir distâncias entre ideia e realização.
Olhe que não estou focando apenas na comunicação profissional. Penso na comunicação cotidiana, aquela em que vale o recado bem dado. Em que conta a qualidade e a velocidade do entendimento.
No último 2 de dezembro, morreu um desses construtores da comunicação: Décio Pignatari (1927-2012). Faz anos li um livro, escrito por ele em 1968, que me ofereceu boas dicas de comocompartilhar uma mensagem. O título é Informação, Linguagem e Comunicação.
Pignatari foi um dos papas, ao lado dos irmãos Campos, do movimento concretista - que espalhou polêmicas mil. Além de poeta, tradutor, professor, inquieto, ele foi um pensador destemido. Sempre com um olhar à frente do estabelecido.
Décadas antes do uso de softwares, Décio já praticava o texto como design. Aquele que salta das linhas da página de um caderno e insinua imagens visuais. De quebra, ele escrevia com clareza invejável.
Foi tradutor do canadense McLuhan que cunhou a revolucionária frase "O meio é a mensagem", e que está para os estudos da comunicação como o Steve Jobs está para os computadores pessoais.
Décio Pignatari não fazia questão de agradar. Não jogava para a plateia. Mas e daí? O que conta são as pontes que ele construiu. Sua cultura vasta sempre provou que para brilhar é preciso ler com apetite, e estudar com gula.
Em resumo: atrás das estradas e nos bastidores da produção cultural há sempre homens e mulheres dispostos a pavimentar o caminho para que continuemos. Com ousadia, por favor!
Imagem: Régine Ferrandis, de Paris.

http://br.noticias.yahoo.com/blogs/mente-aberta/oper%C3%A1rios-da-estrada-095649122.html
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