domingo, 10 de abril de 2016

SEPARAÇÃO Nº 2 [as nebulosas no jardim], Edmir Carvalho Bezerra



SEPARAÇÃO Nº 2 [as nebulosas no jardim]
Edmir Carvalho Bezerra

Eu tenho chorado, fechado nesse acaso,
vivo o amor que me flutua.
Às vezes desmorono em queixas
como as folhas que caem da árvore que chora.
Você não lembra minha cor sentimental,
meus dramas, esperanças inúteis,
ventanias e raios de lua para você me ouvir
Eu via flores nas maçanetas,
negras sereias no ar,
guardas com feridas no peito,
luas brancas cruzando meus olhos,
seus passos indo sem lembrar
o pão de nossos planos.
Numa tarde na cidade,
meu drama não lhe convenceu.

Contei mil histórias lindas e com finais felizes,
das mil que lhe contei, uma foi sem perceber.
O homem dos girassóis pregou na casa de flor
um aviso brilhante:
“Vende-se a lua nova.”
Seus desejos de noites claras
e lua nos olhos quiseram partir.
Minha tristeza ganhou cores de multidão
atormentaram-me as nebulosas sobre a cidade,
deslizando nos azulejos do jardim.

Veio o desgosto de saber,
não era anúncio na janela,
era armadilha cruel.
Sem pão, sem aroma de café,
a luz no abajur chora sem saber,
onde você foi morar:
Na cidade nova, na cidade velha
Na cidade baixa, na cidade alta
Na cidade linda, na cidade cinza?

A noite dorme sem alma,
eu finjo torto, não querer mais
ouvir a história em que você foi
ao atravessar a rua
feito dançarina entre as nebulosas.
Seu silêncio foi e é muito fiel.

É tão inacreditável ao meu confidente
que você não queira mais me abraçar,
não aproveite a morada das flores,
depois as folhas vão se desmanchar,
não me deixe vestir outra vez seu corpo,
como se fosse a manhã nua!

Quantas vezes ouço na mesma música
o som de cada instrumento
e penso que tudo seja possível
desde a invenção do violino.
Hoje os beijos estão dormindo,
eu não decifrei o seu amor.
As flores morrem irreconhecíveis.
Abraçado ao meu sentimento
não desejo a você minha tristeza
e nenhuma das minhas paisagens.

Onde seus olhos voam
não convencem a paz.
Seu peito não guarda a dor
que ficou toda em mim.
Você, nem ninguém,
só eu e as nebulosas.
Dentro delas me entrevo,
sou planta sozinha no quintal.
.
Eu moro em uma pequena alcova,
abro os braços à chuva e ao sol,
me apaixonei pelo silêncio de Deus.


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