quarta-feira, 13 de abril de 2016

AOS TEUS FILHOS, PEQUENO LAVRADOR, Edmir Carvalho Bezerra



AOS TEUS FILHOS, PEQUENO LAVRADOR
Edmir Carvalho Bezerra

A noite se deita fatigada,
uma luz frágil no fundo,
se derrama na terra
a escuridão.
Enterraste
nos sulcos rasos
as sementes
do relâmpago.

Olha,
pequeno lavrador,
como brotaram alegres os lírios,
esses que floreiam os campos.

Sei,
tu querias
a cana e o feijão,
mas os pássaros
não leem desejos.

O que ouço,
vindo de tua casa?
O choro,
de pedras minguando
sobre o pão de nuvens.

Guarda
o orvalho nos olhos,
pequeno lavrador!

Se a aurora
chegar mais cedo,
a manhã debulhada
receberá a chuva.

E nascerá o pão
na tua porta,
se alimentarão
de trovões
os pés de teus filhos.
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