sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

Bryan Adams - Have You Ever Really Loved A Woman?

Bryan Adams - (Everything I Do) I Do It For You

Bryan Adams - (Everything I Do) I Do It For You

quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Indizíveis, Francisco Vaz brasil



Indizíveis
Francisco Vaz brasil

No instituto médico-legal
Dissecaram o corpo da palavra
Com um ereto cinzel diamantado...
- a placa de Petri, horrorizada, observa
Paredes hirtas, tijolos escarlates
Espectros imemoriais, silêncios lancinantes
(gritos, lascívia, preguiça, prazer...)

De gesso, tosco pensamento urge:
A palavra, sonora e fria solenemente
reage, nega, renega, sonega, protesta,
em súplicas, réplicas e tréplicas;
mexe, remexe, fragmenta-se em sóis:
Pedaços de literariedade e sons de cítara escorraçada...

E o meu computador insiste em escondê-la
E agora multiplica-se, saltando como uma matrix
Projetando-se na tela
(e não sei como ordená-las
Em frases para dizer que te amo,
Nem canções que explicitem adeus)
- puras reflexões incorpóreas, sem arquitetura.

Murmúrios, marulhos, lamúrias, entretendendo-se,
originam a frase (?)
Travestida, mal-acabada entre grãos de areia multicolor,
entre verbos e pronomes, sujeitos mal-predicados,
Predicativos de erros e metáforas sem rumo,
Intertextualidade arrítmica
( um rosto novo, pele nova e opressora)

A geografia de teu corpo, palavra,
Inacessível-sensaborosa-transcendental,
Está na curva, inscrita na íris do olho,
Circunspecta, onde dúvida e incerteza pairam
Numa canção do aonde se insere o onde
E o quando não tem porque,

E a seta de um seio duro
aponta
a direção

do pensamento-incoeso-incoerente-perplexo
desamparado-circunflexo
a- nexo, a-plexo,
ponto desconectado...

Silêncios perniciosos de fonemas inservíveis,
Cobras y lagartos mudos
– e tu, palavra, não sais

- você não sabe o que é sentir-se
hirto como um morto,
Náufrago do pensamento perdido:
- parir um poema é mais fácil que criá-lo.

Se bem que além-mar os peixes combinam danças
E seus colares de letras indizíveis
projetam meu olhar em tua direção - palavra...

Cuando llegar la noche, francisco vaz brasil



Cuando llegar la noche
francisco vaz brasil




à noite
dançaremos sob enlouquecidos delírios
e nos abraçaremos órgãos sobre órgãos
e beberemos das uvas brancos vinhos
e dançaremos das músicas as mais belas.

à noite
desfilaremos motivos entre sérias conversas
desnudaremos palavras indizíveis e salivas de bem querer
e esconderemos segredos de insensatez
em ostras hermeticamente grávidas.

á noite
esqueceremos do mundo da leitura
e da leitura do mundo.
todo conhecimento será nada
e as geografias perderão paralelos e meridianos
e recitaremos (meta)poemas sob guitarras
e invadiremos as entranhas y madrugadas
d’Andaluzia y seremos imperceptíveis seres.

à noite
trocaremos de pele e explodiremos em silêncios
e, beberei da fonte de teus os lábios tresloucados besos
e ninarei teus serpênteos cabelos negros
e espalharei lágrimas em tuas entranhas prazerosas
e escreverei os mais intensos versos em teus seios
- e, ficaremos sensíveis y ternamente mudos...

por la mañana llegarón los asesinos de la Rue Morgue
y percibirán que hay una botela de vino blanco
sin una gota siquiera...

y, en esta misma mañana tendremos
otros verbos por conjugar...