domingo, 22 de fevereiro de 2015

Depois de livro, Hilda Hilst é lembrada com exposição em São Paulo, Maria Fernanda Rodrigues



Depois de livro, Hilda Hilst é lembrada com exposição em São Paulo
Maria Fernanda Rodrigues
20 fevereiro 2015 | 20:21 




E mais na Babel: novas biografias de figuras históricas, livro sobre a juventude e o nazismo, a estreia da sul-africana Futhi Ntshingila e da canadense Kathleen McCracken no País, uma obra feita artesanalmente na Índia, etc.

MOSTRA
Depois de livro, Hilda Hilst é lembrada em exposição
Um dos destaques da Ocupação Hilda Hilst, que será aberta no sábado (28), no Itaú Cultural, é a relação da escritora com suas listas – de ideias e palavras rabiscadas quando criava suas obras, tarefas rotineiras, nomes de amigos vivos e mortos, seus cachorros. Algumas delas, como a que pode ser vista abaixo, feita enquanto escrevia A Obscena Senhora D., estarão na mostra ao lado de outros manuscritos, fotos, etc. A cenografia será inspirada na Casa do Sol. Hilda acaba de voltar às livrarias com o volume Pornô Chic – que gráficas católicas se recusaram a imprimir.


BIOGRAFIA
Personagens históricos
A Amarylis reforça seu catálogo de biografias com obras sobre Hitler, Pedro, o Grande, Bismarck, Gorbachev e Beethoven. Os títulos não focam apenas nas curiosidades pessoais, mas também no contexto em que viveram e na ressonância de seus feitos hoje. A primeira, prevista para maio, é Ascensão de Hitler, de Volker Ulrich.

HISTÓRIA
Por falar em Hitler
Crer e Destruir: Os Intelectuais Alemães na Máquina de Guerra da SS Nazista, de Christian Ingrao, sai pela Zahar em março e tenta responder por que 80 jovens promissores escolheram o lado do führer.


CLÁSSICO
Coleção para Plutarco
A Edipro inaugura coleção dedicada a Plutarco em março com Da Educação das Crianças e Do Amor aos Filhos, ambos com tradução inédita e direta do grego por Maria Aparecida de Oliveira Silva, responsável, também, pela apresentação e notas e pelos títulos programados para abril: Como Tirar Proveito dos Seus Inimigos e Como Distinguir o Inimigo do Bajulador.

CRÔNICA
Todas as terças
O escritor Henrique Rodrigues substitui o jornalista José Castello a partir de terça no site Vida Breve, dedicado ao exercício da crônica. Os textos serão publicados semanalmente.

ARTESANAL
Feito na Índia
Criação, de Bhajju Shyam e Gita Wolf, é o próximo título da série feita pela WMF Martins Fontes com a indiana Tara Books. A obra, em tiragem limitada e impressão em silk-screen em papel artesanal, traz histórias de comunidade Gonde, na Índia central, sobre o ciclo da vida.

ROMANCE
O retrato da mulher
Parte superior do formulário

CLÁSSICO
Coleção para Plutarco
A Edipro inaugura coleção dedicada a Plutarco em março com Da Educação das Crianças e Do Amor aos Filhos, ambos com tradução inédita e direta do grego por Maria Aparecida de Oliveira Silva, responsável, também, pela apresentação e notas e pelos títulos programados para abril: Como Tirar Proveito dos Seus Inimigos e Como Distinguir o Inimigo do Bajulador.
CRÔNICA
Todas as terças
O escritor Henrique Rodrigues substitui o jornalista José Castello a partir de terça no site Vida Breve, dedicado ao exercício da crônica. Os textos serão publicados semanalmente.
ARTESANAL
Feito na Índia

Criação
, de Bhajju Shyam e Gita Wolf, é o próximo título da série feita pela WMF Martins Fontes com a indiana Tara Books. A obra, em tiragem limitada e impressão em silk-screen em papel artesanal, traz histórias de comunidade Gonde, na Índia central, sobre o ciclo da vida.

ROMANCE
O retrato da mulher
Há tempos a Dublinense buscava um título que concentrasse os temas do catálogo da editora feminista sul-africana Modjaji. Encontrou Do Not Go Gentle, da jovem Futhi Ntshingila, um romance que acompanha a trajetória de mãe e filha na machista África do Sul. Abismo social e aids são algumas das questões do livro previsto para agosto.


POESIA
Estreia no País
Duplo Autorretrato com Espelho, da canadense Kathleen McCracken, será lançado pela Ex Machina com a presença da autora em abril. A obra reúne sete coletâneas e poemas inéditos. Confira um dos poemas da obra, com tradução de José Roberto O’Shea:
Vai voar?
Quem garante que estas frágeis asas
vão suportar o peso de tanto ar
que o motor vai atingir uma potência máxima
o lastro bem distribuído
que todos os cálculos somam
algo seguro?
Cabos gemem qual cordas de violino
ou cigarras cantando no calor
a cauda trepida -
uma pipa de menina, uma libélula
e gravadas na fuselagem
autobiografias
aquele alumínio rarefeito
uma folha de pergaminho aéreo.
Voamos com fé, tu dirias
mas tudo o que sempre saberei com certeza
é que quando o dia chegou
- dourado sagrado, azul anunciação -
o vento ficou em sua jaula e eu
não esqueci de beijar tua alma.
*********
http://cultura.estadao.com.br/blogs/babel/depois-de-livro-hilda-hilst-e-lembrada-com-exposicao-em-sao-paulo/

Romance inédito de Mário de Andrade, HQ, biografias, crônicas e cartas serão lançados - Maria Fernanda Rodrigues - O Estado de S. Paulo



Romance inédito de Mário de Andrade, HQ, biografias, crônicas e cartas serão lançados

 

Maria Fernanda Rodrigues - O Estado de S. Paulo
21 Fevereiro 2015 | 03h 00

Proximidade da entrada da obra do escritor paulista em domínio público, efeméride e homenagem na Flip motivam lançamentos

Às vésperas da entrada da obra de Mário de Andrade em domínio público - em 2016 qualquer editora poderá publicar Macunaíma e Amar: Verbo Intransitivo, entre outros títulos - uma série de livros chegam - ou voltam - às livrarias, e biografias do modernista finalmente começam a aparecer. 

Para aproveitar os últimos momentos de uma obra protegida pela lei de direitos autorais, a Nova Fronteira, responsável, com o Instituto de Estudos Brasileiros (IEB), pelos volumes disponíveis hoje, lança o romance inédito Café, uma coletânea de contos e crônicas e a graphic novel Macunaíma em São Paulo: O Nascimento de um Brasil, com roteiro de Izabel Aleixo e ilustrações de Kris Zullo. Os três ficam prontos para a homenagem que o autor recebe na Festa Literária Internacional de Paraty, entre 1.º e 5 de julho. Antes disso, ainda neste trimestre, são lançados três e-books com estudos de Mário de Andrade: Música de Feitiçaria, As Melodias do Boi e Pequena História da Música

O primeiro lançamento, porém, é da Edições de Janeiro e da Fundação Biblioteca Nacional. Na quarta-feira, dia 25, aniversário de morte do escritor, elas apresentam, no Rio, Eu Sou Trezentos: Mário de Andrade Vida e Obra, do pesquisador Eduardo Jardim. Repleto de imagens, o volume tem, como diz o autor na apresentação, “o propósito de reconstituir a trajetória do poeta e pensador até o momento da sua morte, no ponto em que os impasses com que se deparou se mostraram insuperáveis”. 

Autor de Segredo de Estado - O Desaparecimento de Rubens Paiva, entre outros, Jason Tércio está mergulhado há 10 anos no universo de Mário de Andrade. No momento, ele finaliza a escrita de As Vidas de Mário de Andrade que, imagina, terá 500 páginas. Para facilitar o trabalho, ele chegou a se mudar do Rio para São Paulo. “O diferencial de minha pesquisa é que estou abrangendo nessa biografia a complexa personalidade de Mário e todos os aspectos da sua vida: poeta, ficcionista, crítico literário e de artes, musicólogo, cronista, etnógrafo, fotógrafo, professor de música, colecionador de arte, viajante, epistológrafo, agitador cultural, bibliófilo, diretor do Departamento de Cultura de São Paulo, católico e boêmio”, adianta Tércio. 

A empreitada é grande. “Mário foi um oceano, por isso a maior dificuldade ao reconstituir sua vida é enveredar por diversas áreas e ao mesmo tempo pesquisar a vida de inúmeras personalidades que conviveram com ele e evitar repetir erros de narrativas existentes”, diz. “Outra dificuldade é elucidar as contradições de Mário. Por exemplo, surgiu uma tese de que ele era antissemita. Não é verdade. Também essa história de que ele era homossexual. Não é verdade”, completa. Ainda não há previsão de lançamento ou contrato assinado com editora.

Ainda neste ano, a Edusp e o IEB lançam, pela coleção Correspondência de Mário de Andrade, as cartas trocadas com Lasar Segall, organizadas por Vera Dorta, e com Alceu Amoroso Lima, por Leandro Garcia Rodrigues e coedição da PUC-Rio.

http://cultura.estadao.com.br/noticias/literatura,romance-inedito-de-mario-de-andrade-hq-biografias-cronicas-e-cartas-serao-lancados,1637266

Nos 70 anos de morte de Mário de Andrade, ainda é tempo de estudar sua obra, Silviano Santiago – Especial para O Estado de S. Paulo



Nos 70 anos de morte de Mário de Andrade,

ainda é tempo de estudar sua obra





Silviano Santiago – Especial para O Estado de S. Paulo
21 Fevereiro 2015 | 03h 00 

Crítico literário questiona se a "eternidade" apenas o transformará no maior intelectual brasileiro da primeira metade do século 20

No ano em que se completam os 70 anos da morte de Mário de Andrade (25/2/1945) e em que a Flip se adianta e valoriza a data, visto a pele de um incômodo Mallarmé e me pergunto se a “eternidade” apenas o transformará no maior intelectual brasileiro da primeira metade do século 20. Começo pela pergunta exigente porque são vários os obstáculos que dificultam armazenar a figura e a obra de Mário no século 21.
Nos anos 1920 e nas duas décadas que se seguiram, ninguém foi mais apaixonadamente modernista entre os nossos modernos. Com sua inesgotável correspondência, de notáveis artigos críticos e de crônicas jornalísticas doutrinárias, Mário se transformou no divulgador-mor da vanguarda europeia que, pela rota do Atlântico, fazia às avessas a trajetória do café paulista. Quis ser útil. Não fez arte pela arte, mas, sim, “arte de ação pela arte”.
Em meados daquela década, sua condição de “papa” do modernismo brasileiro é invocada de modo elogioso - e em seguida apedrejada por Graça Aranha - na série de entrevistas que ele e cinco companheiros de geração dão ao jornal A Noite. Ainda hoje vale a pena consultar o volume O Mês Modernista (1994), em que Homero Senna reúne os recortes do jornal carioca, guardados zelosamente por Pedro Nava.
Na década seguinte, em novembro de 1936, Mário dá aos jovens cariocas uma sofrida resposta à pergunta sobre sua aterrissagem na eternidade. Invoca primeiro sua condição de funcionário público na administração paulista: “Eu tirava o escritor de foco, botando o foco no funcionário que surgia. Me suicidei sim porque tinha medo de mim mesmo”. Comenta em seguida: “Vocês não sabem que, ao pesar sem nenhuma piedade as minhas forças de escritor, e reconhecendo elas fracas para uma eternidade, orientei toda a minha obra pra uma utilidade momentânea, mesmo com sacrifício de qualquer ideia de perfeição” (Cartas a Murilo Miranda). 
Mário não foi menos contundente e menos dramático em 1942, quando, em pleno Estado Novo, a Semana de Arte Moderna completou 20 anos. O paulista abre a guarda no auditório do Itamaraty e proclama: “E se agora percorro a minha obra já numerosa e que representa uma vida trabalhada, não me vejo uma só vez pegar a máscara do tempo e esbofeteá-la como ela merece. Quando muito lhe fiz de longe umas caretas”. 
As constatações dolorosas sobre o valor perecível da obra se deslocam de modo unidirecional. Em diálogo franco com a autocomiseração, a eternidade constatará o óbvio: os intelectuais e artistas representativos do seu tempo acabam por espalhar pelo caminho cacoetes que se assemelham aos bordões que tornam célebres atores medíocres. Bordões, Mário os inventou, e muitos se tornaram - à semelhança do poema sobre a pedra no meio do caminho de Carlos Drummond - amados, apropriados e repetidos à exaustão pelos admiradores. Sua definição de conto (“será conto aquilo que seu autor batizou com o nome de conto”) persegue jovens escritores e diletantes como a exitosa Pasárgada de Manuel Bandeira.
Mas não há por que botar fé numa visão diminuída dos artistas desbravadores do Brasil moderno. Não foram intelectuais monolíticos. Pelo contrário. Não é Mário quem confessou em poema de Remate de Males: “Eu sou trezentos... sou trezentos-e-cinquenta”? Como devoto de Cristo, ele também nos teria alertado: Devagar com o andor, que o santo é de barro.
Mais apressado o caminhar com o andor, mais palpável a atualidade de Mário. O santo é de barro. E é eterno. No chão do século 21, vida e obra se espatifam em trezentos-e-ciquenta fragmentos desvairados. Se apreendidos pela crítica, estarão sendo representados por uma espécie de mapa ferroviário, que revelará a personalidade múltipla e ainda desconhecida de Mário. Como personagem de Albert Camus, o modernista esteve sempre a desenhar para os pósteros o caminho mais jeitoso e único. E a academia e os historiadores caíram no engodo.
É preciso nos liberar da ditadura institucional que trafegou pelo caminho jeitoso e único. É preciso atentar para a multiplicidade dos ramais que se abrem nos centros de gravitação da obra e nos levam a vários e imprevisíveis destinos. Na vasta obra de Mário, cada estação de estrada de ferro é lugar - se não for motivo - para baldeação. Vida e obra ainda estão para e por ser lidas no século 21. Comecemos por arregaçar as mangas.
No milênio globalizado, Macunaíma parece entoar o canto do cisne. No entanto, ensaístas da nova geração retomam com unhas filosóficas e dentes ideológicos a questão indígena pelo viés da “apocalíptica contracultura pós-moderna” (se me permitem a etiqueta). Associam-na à contribuição do afro-brasileiro e à condição da pobreza mundial. Estamos desgostosos de ser modernos e consumistas. Eduardo Viveiros de Castro afirma que os índios “podem nos ensinar a voltar à Terra como lugar do qual depende toda a autonomia política, econômica e existencial. Em outras palavras: os índios podem nos ensinar a viver melhor em um mundo pior. Porque o mundo vai piorar”.
Quando a nova geração de intelectuais picados pela mosca azul do poder ocupa o ministério e as secretarias de cultura estaduais e municipais, querendo fomentar uma arte motivada pelo povo e direcionada pelo engrandecimento igualitário da nação, nada como ter na escrivaninha de trabalho os escritos circunstanciais e definitivos de Mário sobre a recuperação da memória artística popular, a máquina da burocracia, a mediocridade dos políticos... Melhorariam as reflexões enganosas dos atuais donos do assento.
Por fim, elenco um tópico delicado, que permanece como terra ignota. Em depoimento ao Museu da Imagem e do Som de São Paulo, Antonio Candido esclareceu que Mário “era um caso muito complicado, era um bissexual provavelmente”. Acrescenta em seguida que ele “tinha uma sensibilidade de homossexual”. E constata: “Isto é fora de dúvida, vê-se pela obra dele”. Dá como exemplo os poemas de Girassol da Madrugada (1931), hoje no Livro Azul. Pena que as iniciais do amigo a quem é dedicado o poema só estejam decodificadas em carta a Manuel Bandeira que, por sua vez, se encontra guardada a sete chaves na Casa de Rui Barbosa.
Mas compensa transcrever palavras irretocáveis de outra carta que Mário envia a Manuel Bandeira. Está datada de março de 1931, mês em que escreve os poemas de Girassol da Madrugada. Nela se lê: “Ah! meu irmãozinho, o amor se abancou de novo no meu rancho, mas é bom nem falar porque sou dolorosamente feliz. Isso da gente ficar uma noite inteirinha, quatro horas eu passei! reclinado sobre um corpo alvíssimo e dócil, parolando, descobrindo uma alma espontânea, maravilhosamente descobridora, dizendo coisas incríveis para quem não lê nos livros, e um dedo espantado passeando no nosso rosto, seguindo o caminho das rugas e dos traços já acentuados pela idade, olhos incríveis de assombro não podendo se explicar que possam amar a feiura...”.
Mário, o feio, transcreve em seguida duas estrofes do poema Girassol da Madrugada. Delas retiro estes versos: “Carne que é flor de girassol, sombra de anil, / Eu encontro em mim mesmo uma espécie de abril, /Em que espraia o teu sinal, suave, perpetuamente”.
Silviano Santiago é crítico literário
http://cultura.estadao.com.br/noticias/literatura,nos-70-anos-de-morte-de-mario-de-andrade-ainda-e-tempo-de-estudar-sua-obra,1637275

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

What Happened to Alberto Nisman? By Jonathan Blitzer



What Happened to Alberto Nisman?
By Jonathan Blitzer

Activists attend the departure of the funeral cortege carrying the remains of the Argentine prosecutor Alberto Nisman. Credit PHOTOGRAPH BY ALEJANDRO PAGNI/AFP/GETTY 

On January 18th, just before midnight, an Argentine state prosecutor named Alberto Nisman turned up dead in his apartment. The cause of death was a shot to the head, fired from a .22-calibre pistol that the prosecutor had borrowed from his assistant the day before. Nisman told his assistant that an Argentine spy had warned him that his life was in danger. The two main doors to the apartment were locked, and several bodyguards had been standing watch outside. Analysis of a third passageway, a small nook used to gain access to the apartment’s air-conditioning unit, revealed a footprint and a smudge, but nothing more. The door to the bathroom, where Nisman was found, was locked from the inside. It looked like he had killed himself, but could someone else have made him do it?

Four days before Nisman died, he had accused President Cristina Fernández de Kirchner and her Foreign Minister, Héctor Timerman, of a spectacular crime. The two were the “authors and accomplices of an aggravated cover-up and obstruction of justice,” Nisman told a Buenos Aires court. They had allegedly protected the perpetrators of the bombing, in 1994, of a Jewish community center, the Argentine Israelite Mutual Association (AMIA). The attack, which left eighty-five people dead and hundreds injured, was the worst in the country’s recent history. Nisman had spent more than ten years investigating the case, and he had long believed that the Iranian government and agents of Hezbollah, the Lebanese militant group, were behind it. In recent years, he had also become concerned that Kirchner’s government had conspired to shield them from justice. (The case is still unresolved and the attack’s perpetrators remain unpunished.)

Nisman had produced a two-hundred-and-eighty-nine-page report that, drawing on wiretapped conversations between a union leader aligned with Kirchner and an Iranian official, claimed that Kirchner and Timerman had secretly met in 2013 with the Iranians to broker a deal. According to Nisman, the Argentines had agreed to give up their hunt for the terrorists in exchange for Iranian oil. The government immediately dismissed the accusations as baseless, but opposition legislators seized on Nisman’s pronouncement and called on him to testify before Congress. He died the night before he was supposed to deliver that testimony. In his final hours, he tried and failed to insure that the congressional hearings were closed to the public. “I might get out of this dead,” he said.

Hours after news of Nisman’s death broke, protesters took to the streets with signs that read, “Yo soy Nisman,” to express their anger over his death; many accused the government of orchestrating it. The government, meanwhile, did little to dispel the suspicion. The next day, Kirchner posted a rambling message on Facebook, which read, in part, “Suicide provokes … first: stupefaction, and then questions. What is it that brought a person to the terrible decision to end his life?” Four days later, she was less philosophical, and more portentous. Nisman’s death “was not a suicide,” Kirchner wrote on her Web site. “They used [Nisman] while he was alive, then they needed him dead.” The “they” in this case could have included government critics who wanted to frame the President; a rogue faction of the Argentine intelligence apparatus; the Central Intelligence Agency; or the Mossad, the Israeli intelligence agency. The President’s public pronouncements are often soaked in paranoia. But in this case, the government’s line—that Nisman was manipulated, then discarded, by elements of the intelligence community intent on discrediting Kirchner—traded on widely held doubts about Nisman’s independence as an investigator.

Nisman never had the institutional means to determine, on his own, whether the Iranian government had a role in the AMIA bombing. Instead, his information came largely from the former Argentine director of counterintelligence Antonio (Jaime) Stiusso. Stiusso’s information, which steadily implicated the President in some nefarious détente with Iran, is widely thought to have come from U.S. and Israeli intelligence services. One theory that has gained ground since Nisman’s killing turns on Stiusso and his agenda in feeding Nisman damning evidence against the government. “Stiusso had two faces,” the Argentine journalist Santiago O’Donnell told me. “The good Stiusso had the face of the prosecutor Nisman. The bad Stiusso did not have a face and was a shady and powerful person who instilled great fear.” Back in 2004, the Justice Minister held up a photograph of Stiusso on television and accused him of presiding over a “kind of Gestapo” that intimidated and blackmailed politicians. The President ousted Stiusso last year, and his departure posed problems for Nisman and the investigation. At the moment, Stiusso’s whereabouts are unknown.

This theory that Stiusso was somehow directing Nisman’s investigation is riddled with conjecture. But the notion that Nisman was a kind of cipher for Argentine and foreign-intelligence operatives has its roots in certain demonstrable facts. Diplomatic cables released by Wikileaks reveal that Nisman obsessively consulted with the American Embassy. He went to the Embassy with advance tips on his investigation, he shared knowledge about judges’ leanings, and he showed Embassy officials drafts of his arrest orders and made revisions based on their comments. In October, 2006, Nisman formally accused Iranian officials and a Hezbollah operative of orchestrating the AMIA attack. U.S. Embassy representatives told Nisman that they were “convinced” his case was solid, and “congratulated” the Argentine prosecutors for their “dedication.” Some of the same cables refer to U.S. efforts to impose international sanctions against Iran for its nuclear program, a campaign that the Argentine government joined at the United Nations.

This enthusiasm for the case against Iran is particularly noteworthy because Iran and Hezbollah were never the only suspected culprits in the bombing. Since the start of the investigation, there’s also been the so-called Syrian track, which suggests that Syrian agents may have underwritten the attack. The Argentine President at the time, Carlos Menem, was born in Argentina to Syrian immigrants, and had personal and political ties to the country. In 2008, in federal court, Nisman requested an arrest warrant for Menem and his brother because they’d allegedly impeded the investigation into a Syrian man thought to have been involved in the bombing. One federal investigator went so far as to testify under oath that the case against the Syrian suspect was never pursued because Menem’s brother called the judge and quashed the inquiry. (Menem denied any malfeasance, saying that the charges amounted to “political persecution.”) Nisman eventually dropped this line of investigation and apologized to American authorities for introducing it without warning. The Syrian theory may never have been entirely solid, but its swift abandonment was suggestive. “Today, the Syrian track is more of a political debate than a legal one,” the Argentine political scientist Juan Gabriel Tokatlian told me earlier this week.

The AMIA investigation has lasted twenty years and spanned more than three Presidential administrations. During that time, the original investigating judge, the former head of the Argentine intelligence services, some of the prosecutors, police officers, and the former head of an AMIA-affiliated organization have all been charged with wrongdoing. Four Buenos Aires police officers were arrested for overseeing a stolen-car ring that included the vehicle thought to have been used in the AMIA bombing, but they were acquitted in 2004, when it emerged that the investigating judge had paid a four-hundred-thousand-peso bribe to a key witness for the prosecution. The money for the bribe came from the state secretary of intelligence.

The AMIA case confirmed the public’s worst fears about the courts. Since the years of the military dictatorship, they have been under the thumb of the intelligence service, which has routinely made use of its telephone-surveillance arm to coddle and control judges. Because of the welter of procedural irregularities, Interpol, at one point, lifted its red notices, or international arrest warrants, for the twelve Iranian nationals initially alleged to have been responsible for the bombing. Nisman was part of the original investigation team, but was never directly implicated in the impropriety. In 2004, President Néstor Kirchner, who called the botched investigation a “national disgrace,” appointed Nisman to head up a new investigation. His findings, released two years later, renewed the claims of the earlier investigation against Iran and Hezbollah.

In 2012, President Cristina Kirchner began charting a new foreign-policy course that set her and Nisman at odds. “There was a broader shift in foreign policy away from the U.S. and Europe,” Daniel Kerner, the head of the Latin American division at Eurasia Group, told me. Some of this was owing to the U.S. recession and the European debt crisis, some of it to Argentina’s continued trouble with U.S. courts over debt owed to American hedge funds. The Argentine government felt less beholden to Western powers, and softened its position on Iran. “There were always doubts about the accusations against Iran,” Kerner said. “At some point, the Kirchner government may have just recognized that these accusations were a function of our closeness to the U.S.” In 2013, Cristina Kirchner’s government signed a memorandum of understanding with Iran, in which the two countries sought to create a truth commission to investigate the bombing. Critics lambasted her for aligning the government with the primary suspect.

In his report, Nisman alleged that the memorandum of understanding grew out of a trade deal for Iranian oil. As part of that deal, Argentina would request that Interpol withdraw its red notices on Iranian suspects. The former head of Interpol, Roland Noble, said that he was shocked to hear about this aspect of the alleged deal, and categorically denied any knowledge of it. (He even went so far as to produce earlier correspondence with Timerman, in which the two clearly agreed that the red notices had to remain in place.) State news agencies batted away the accusation that Argentina would barter for Iranian oil; the country needed refined, not crude, oil, which Iran couldn’t provide. There were other questions about the legitimacy of Nisman’s charges. He did not have the support of the local Jewish community, and he had circumvented the judge who had long presided over the AMIA case. Horacio Verbitsky, the president of the country’s leading human-rights group, the Centro de Estudios Legales y Sociales, pointed out to me that only two pages of Nisman’s nearly three-hundred-page report concern the legal basis of the criminal charges against the President, which is striking considering the magnitude of the accusations.

The government’s erratic response to Nisman’s death created further confusion. The journalist who first reported the death, Damian Pachter, left Argentina for Israel last Saturday, claiming that his life was in danger. Inscrutably, the government posted Pachter’s flight information to its Twitter account, and said that it was trying to protect the journalist. At this point, it’s an open question whether this behavior is a sign of guilt or mere haplessness. Cristina Kirchner has since accused Nisman’s assistant of being an opponent of the government, with seemingly little basis; part of her evidence is that his brother works for a law firm with connections to a media conglomerate that has been critical of her administration.

More substantially, the Kirchner government announced the dissolution of the country’s notoriously corrupt intelligence secretariat. It’s unclear how, exactly, Kirchner intends to reform the intelligence apparatus, when, over the past couple of years, she has staffed its agencies with younger and more loyal officials. Eurasia Group’s Kerner, among others, described this as a common practice for presidents nearing the end of their terms; it’s possible that a raft of corruption cases awaits Kirchner when she leaves office, in December. Kirchner’s move has at least temporarily assuaged the longstanding concerns of Argentine human-rights activists about the intelligence secretariat’s interference in the justice system. But for now, it seems fitting that Kirchner, who’s been nursing a fractured foot, has been making her announcements from a wheelchair.

http://www.newyorker.com/news/news-desk/happened-alberto-nisman?intcid=mod-yml